sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

apenas um poema...



Dualidade

A lua como um cálice derrama sobre o céu
seu brilho como um véu de estrelas cintilantes…

Seu corpo nú estendido na relva
é levemente iluminado de um brilho azulado…

Sua pele torna-se assim 
como um tapete de luz aveludado….

Ao seu contato estremeço…
entonteço…
arrepio…

um misto de frio e calor
dualidade…

abro os olhos e vejo você
mordendo lábios

lábios doces…com sabor ácido
feito jambo…

Seu corpo exala um perfume de homem
que inebria, entontece…




amalgamados…sinto cada pedaço de ti em mim…
como uma fusão líquida
como o infinito
como um laço continuo
onde acaba um…começa o outro…

percorre suas mãos sobre o meu corpo
e quanto mais sinto mais quero…

beijos loucos, suave leveza
das suas mãos se faz a doçura…
e doce e suave é você…

carinhos, contos e ternura
o acalento e o fogo quase queimam minha pele…
dualidade….





No seu mel eu mergulho e assim
me sinto mais dourada e leve 
suave leveza… como mel quando escorre…

chego assim em meu mais puro estado…
Me liberto em seu peito
me entremeio em suas pernas
me cubro com seu ardor
nos seus braços me faço mulher...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sobre sujeitos e comportamentos...


"O sujeito alucina seu mundo" 
(Saussurre)


Após ler alguns textos diversos, sobre corpo, linguagem e expressão, não pude deixar de me surpreender com algumas das teorias lacanianas, sobre o real, imáginário e simbólico na concepção do corpo, e do comportamento. Teorias estas, que se revelam de extrema coragem, mas também controversas, inclusive leitura muito pesada, que requer leiamos e releiamos até seu total entedimento, se é que isso é possível. 

Enfim, me deparei com esta teoria do corpo, que o corpo está fora da dimensão do real, o que temos do corpo é a imagem deste. Bem, pra alguns esta filosofia trataria de explicar muito bem, alguns fenômenos pelos quais passamos ou vemos hoje, nas redes sociais. O que vemos proliferar uma infinidade de imagens na qual os indivíduos tratam de se expor frente a alguma situação, ou sentem uma necessidade imensa, de mostrar determinado feito durante o dia. Não que isso seja ruim, não estou aqui para julgar pelo contrário. Trato de tentar com este texto desmistificar, jogar 'a merda' no ventilador, ou melhor, me expor inclusive para tentar solucionar este dilema. Porque é algo tão presente em nossas vidas ultimamente, que nos vemos as voltas com a vontade tanto de produzir quanto de consumir imagens. A minha pergunta interna, inclusive para mim mesma é: onde será que vai dar tudo isso? Ou melhor pra que serve tudo isso? 

Tenho uma sensação estranha mas, que me parece a mais coerente, a uma real crise na vida cotidiana das pessoas, hoje em dia, e com isso não me eximo do mesmo problema, também me vejo as voltas com vontade de postar coisas, de mostrar o que estou lendo, escutando ou vendo. Isso é praticamente uma das formas de hoje se sentir aceito socialmente, ou a vontade que temos de expor o nosso mundo. E após ler Lacan, muita coisa se explica, pois, hoje mais do que nunca, na cultura midiática, tecnológica e imagética, este se aplica perfeitamente quando diz que o real hoje, nada mais é do que a farsa, a contra-senha, o disfarce, a representação, uma recusa ao nosso EU, a que estamos permeados. 

Isso pra mim só pode ter uma raiz na questão de uma carência de não sei o que, que vêm não sei de onde. Essa falta de algo que não sabemos explicar o que é. E que normalmente é a raiz de todos problemas afetivos que nos envolvem, sejam familiares, amorosos, etc. das relações humanas em geral.  Me pergunto, se não serão estas as razões intrínsecas de toda a dificuldade em nos relacionarmos, andamos tão as voltas com a opinião alheia, já que podemos falar a uma grande massa, que as relações se tornaram fluídas, a partir do momento em que se pode representar o tempo todo. Será que realmente a tecnologia vem para alcançar o inalcançável? Será que serve como ponte entre os sujeitos? Ou será que estamos perdendo o jeito nas relações reais, acostumados que estamos na mediação pelas máquinas?

Há uma dificuldade de compreensão do outro, nas suas opiniões e atitudes, e também a necessidade de sermos compreendidos. Hoje, mais do que nunca utilizamos estes disfarces das redes sociais, para mostrarmos ao outro o quanto estamos bem, felizes, e fazemos questão de esfregar isso na cara. Daí acabam advindo outras questões, o alter ego, o narcisismo, etc. 

Fato é que como eu dizia a "sociedade tecnológica", nem direi humanidade já que existem outros 'planetas' onde o modus vivendi é outro, parece passar por uma enfermidade, uma enfermidade que se traduz na incrível necessidade de ser ouvido, visto e admirado. Ou seja, plantamos uma realidade, aquela que construímos como ideais para nós mesmos, um estado que pretendemos alcançar, porque nessa nova esfera, a virtual podemos falar a muitas gentes!!! 

E dentre estes, muitos se compadecem e curtem, nossas ações virtuais, ou apenas porque se identificam, há um grande espírito coletivo de auto-identificação nas redes sociais, esse é o modus vivendi da sociedade tecnológica, e é sobre ele que opera nossas necessidades. E isto vem sendo reproduzido diariamente, parece a saída para não se sentir sozinho, neste mundão de Meu Deus! 

A grande questão que devemos nos perguntar diariamente é se de fato as coisas boas proporcionadas pela rede, como aproximar-se de alguém que se deseja, encurtar espaços, no sentido de transpor isso para a realidade, está realmente acontecendo? Se não tratar de fazer acontecer! E se, o que está se transpondo para o real, não é exatamente o que há de ruim nas redes, como a criação de uma auto-imagem que não condiz com a realidade. 

Será que estamos ficando cada vez mais xucros nas relações, porque nas relações mediatizadas encontramos apoio, ou melhor: nos tornamos experts em disfarces, máscaras, que nem sabemos mais como sermos autênticos, sinceros e simplesmente vulneráveis? 
E isso que devemos nos perguntar. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Felicidade e ética: promessas e dúvidas.




                Ética é a parte da filosofia que se dedica aos estudos dos valores morais e princípios ideais do comportamento humano. Em sua origem grega a ética significa aquilo que pertence ao caráter.  Nos dias de hoje a ética é compreendida como uma salvação, um desejo, e por não haver uma abordagem séria em relação a ela é onde começa o problema.
                Falta reflexão, falta debate, falta pensamento crítico, falta entender o “que é” o agir e “como” se deve agir. Quando se levantam essas questões é que se inicia a ética. Mas não é o suficiente. É preciso ultrapassar a esfera das emoções passageiras, da indignação moral. A ética não entra em nossas vidas por não sabermos o que se é ou como se deve entrar. Mas o que é ética? Ethos como era chamada pelos gregos era usada para definir o modo como às pessoas vivam e convivam. Usamos atualmente a palavra “comportamento” com o mesmo objetivo. Então, a ética sempre será definida a partir na nossa relação com o outro.
                Aristóteles, filósofo grego que refletiu sobre a ética, acredita que o problema da ética é a felicidade. Ética é a forma de vida que leva a felicidade. A busca da felicidade é o que dá sentido a vida pessoal e coletiva. A felicidade para Aristóteles representa muito mais do que busca individual da alegria e dos prazeres. Na verdade a felicidade não é bem estar pessoal, não é ter saúde ou bens, nem sucesso profissional, nem estar em paz consigo mesmo e com os que vivem ao seu redor. Essa definição atual de felicidade é uma ilusão, antes a felicidade era a máxima virtude.
                É claro que não podemos reviver os ideais de Aristóteles, é preciso entender a felicidade na sua evolução histórica. Mas é preciso recuperar aquele aspecto da felicidade. Para Aristóteles a felicidade era um ideal ético da vida. A vida ética era justa, boa, corretamente vivida pelo cidadão, que sabia seu papel na sociedade, que ao pensar em si como sujeito leva em conta o todo: a família, os amigos, a sociedade, a natureza. A felicidade dependia de uma realização espiritual, mas também excluía a miséria e violência material.
                Para Kant, filósofo do século XVIII, o máximo que o homem poderia esperar era ser digno de ser feliz e não realmente feliz. Atualmente, uns acham, como Kant, a felicidade impossível, outros a tratam como algo banal, uma mera realização dos prazeres pessoais. O desentendimento em relação à felicidade apenas mostra que ela não está bem situada como conceito em nossas vidas. Apenas aqueles que puderam pensá-la como potência ética, como algo que se constrói na fusão da vida pessoal com a vida pública é que podem continuar falando de felicidade. Antes de ser feliz devo perguntar se posso ser ético. Será mais fácil ser feliz.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Acontece que sou baiana



Carybé. Mulata Velha


















Bahia, doce Bahia.
Meu eterno caso de amor e ódio.
Te gosto, em suas coloridas ruas do Recôncavo.
Desejo o sabor da brisa de suas maravilhosas praias.
Repudio o caminho que a sua capital está tomando.

Sinto-te doente... suas ruas descuidadas, suas cidades desaceleradas.
Mas mesmo assim vejo nascerem flores em seus asfaltos.
A quem pise em sua terra e já se perceba em um caso de amor eterno, seu cheiro, sua cultura particular e única, despertam casos e caos.
Seu samba, puro e de raiz, ainda sobrevive em seu Recôncavo.

Ao te ver lá longe, no Sudeste.
Me senti Bahia, me senti sua, assim baiana, assim neguinha, exalando o jeito único baiano Brasil afora.
Ao voltar, me senti acolhida, amada, desejada.

Quem não gosta de samba, também te ama em sua plenitude.
Porque tú minha Bahia, é igual coração de mãe e tem espaço para todas as diferenças.
Se rock é diferencial, é baiano, logo já disse tudo!
Suas músicas tem mais cor, suas praias mais sabor.
Tú exalas em mim poesia.
Me inspira com tua gente forte e lutadora, que de preguiçosa, nada tem!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Omissão



 “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.”

Edmund Burk, filósofo político.


"Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?"

Gabriel, o Pensador






Andei pensando no significado da palavra omissão, seu significado “é a conduta pela qual uma pessoa não faz algo a que seria obrigada ou para o que teria condições”. Observamos a omissão diariamente na nossa sociedade, todos sabem dos problemas sociais que estamos rodeados, não precisamos fazer muito esforço para tal!! Ligo a TV, as notícias se repetem todos os dias, o LOOP do espetáculo da desigualdade se repete mais do que enredo de novela, a maldade está lá instaurada, as injustiças também, nossa educação deixada de lado, a violência contra a mulher em todas as instâncias, a desigualdade, a diversão é assistir estas notícias para se “informar” programas que fazem destas situações sinônimo de ganhar dinheiro. Desligo a TV, a mesma há muito tempo já não me informa, e sim deforma!! O que mais me incomoda porém, é a situação que percebo...do desligar da TV... Desliga-se a TV, e tudo que vemos só vive naquela caixinha!!  Volta-se ao dia a dia normal, afinal não temos tempo de fazer nada a respeito, pois, na sociedade capitalista em que vivemos TEMPO É DINHEIRO, e pensar na situação do próximo é perder tempo, logo perder dinheiro!! Logo não me interessa!! Uma cegueira intencional toma conta de muitos. Muitos vivem em uma revolução nostálgica....Os jovens de hoje não fazem mais nada!! Bom mesmo era na década de 60.... Será gente??? Será que enxergamos estas pessoas que saem do lugar comum e tem uma postura crítica?? Do que a chamamos?? Vândalos, Vadias, Desocupados???  Os políticos são os culpados!!! Lógico, afinal, se eles não fazem porque eu tenho que fazer? Se eles roubam, OMITEM, porque eu também não posso!! Ok!! Quem nunca escutou estas frases?? Acho que não sou a única!!  Mas não consigo me omitir!! Me sinto responsável por tudo isso!! Sonhar que isso vai mudar é um sonho?? Será?? Acho que não!! Felizmente não!! É dessas pessoas que se jogam!! Que apanham por lutar, que não se conformam somente em compartilhar pelo facebook, mais dispensa uma festa no fim de semana, para discutir os problemas e prover mudanças que eu acredito!!! É muito fácil eu falar que não tenho tempo de lutar por mudanças quando se tem comida em casa, quando se tem diversão quando se quer, quando se tem as necessidades básicas e ainda mais!! É muito fácil achar legal quem faz.... É muito mais fácil ainda criticar e/ou dizer que não existem pessoas que lutam diariamente por um mundo menos desigual, quando não se preocupa em conhecê-las!! Omitir-me pra mim não rola!! Saber que posso fazer algo pra mudar e ficar em casa descansando, não é descanso pra mim, É DESCASO!! Estudar em uma Universidade Pública, paga com o dinheiro do imposto de trabalhadores honestos, e ver as injustiças acontecerem na minha cara e dizer que eu não tenho tempo de mudar isso?? Não permitir que assim como eu a filha da moça que faz a limpeza estude também na Universidade, e não falo só de um ingresso, mais um problema bem maior que esse, a permanência, pra mim isto é omissão, e omissão é um crime contra o outro!! Sim crime, pois, no direito penal, um crime omissivo ocorre quando uma pessoa não cumpre um dever a ela imposto, e podem ser classificados em próprios e impróprios, de acordo com a exigência de um resultado para a concretização do tipo penal. Pois é galera, o desconforto me fez escrever esse texto, a vontade de mudar me fez escrever esse texto, a mudança que eu percebo é o que me faz continuar!! “É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar..”


Lilian Ventura 25.02.13








sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Reflexões e Sonhos




Foi depois que assisti ao filme de animação, Wake in life, que parei para pensar sobre os sonhos. 
É nessas horas que percebemos a incrível capacidade de certos filmes de nos impactar e nos fazer refletir sobre certas coisas de forma inusitada.
O que são os sonhos, afinal?
São previsões ou pressentimentos? São apenas alucinações desconexas? 
São situações que acontecem em outra dimensão, sem que nos seja possível intervir?
Nós dormimos, o nosso corpo quer descansar, mas então, a nossa mente trabalha! 
Queremos descanso para a mente também!
Se o sonho fosse apenas uma manifestação aleatória e servisse para nos relaxar, não teríamos pesadelos então, não acordaríamos pesados e tristes às vezes.
Ou quando sonhamos com coisas boas, desejos realizados, daí quando acordamos, ficamos tristes, pois descobrimos que não foi real.



Sonhos são manifestações do inconsciente! 
Isso todos sabemos, mas o que isso significa? 
Significa que nossos sonhos podem ser vias de entendimento de nós mesmos?
Talvez, mas, mais do que isso, é uma brecha conseguida no turbilhão de nossas vidas. 
Podem interpretar como quiser, mas, uma brecha, uma oportunidade que nos é dada de escape da realidade, do mundo real, das coisas palpáveis, das leis da física, química, enfim que regem o mundo.
E na maioria das vezes não sabemos aproveitar, pois mergulhados em nossa própria piscina de problemas, preocupações e ansiedades nos deixamos levar em sono profundo, envoltos neste espectro de sentimentos confusos. 
E assim sem que possamos controlá-lo, o sono é quem nos controla. Ou a insônia, o medo, a vontade de que a noite termine brevemente, e que agente possa apagar e acordar logo no dia seguinte. 
O que aconteceu conosco? Onde iremos parar deste jeito?
Temos que perceber a dádiva que os seres vivos têm de sonhar. 
Os animais também sonham, isso é muito interessante, os seres humanos não são privilegiados nesse sentido, somos constituídos de tanta perfeição.
Digo isso, porque não é essa uma capacidade maravilhosa? 
A do nosso cérebro, continuar trabalhando durante a noite, como uma segunda vida capaz de proporcionar experiências incríveis? Será que somos capazes de tornar possíveis nossos impulsos e necessidades conscientes e inconscientes, em momentos “reais” vividos por meio dos sonhos, eu me pergunto? 
Assim como mostra aquele filme. 
Pois temos as mesmas sensações e capacidades de sentimento e emoção, muitas vezes com mais intensidade nos sonhos, sentimentos que muitas vezes reprimimos na vida real. 
Quem nunca acordou chorando? Ou transbordando de felicidade?
O fato é que será que realmente temos a consciência desta capacidade? 
De nos entregar? 
De deitar todas as noites e dizer pra si: Hoje eu mereço uma boa noite de sono! 
E se reservar esse momento, se dar essa chance e se dedicar a pensar: o que eu quero fazer hoje? 
O que me deixaria feliz hoje?


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Visita de Gaia


"A verdade sobre Gaia.. .
Ela fica distante, mal sabe ela que tem todas as fases da lua e suas cores.  
É uma divindade noturna, e diurna quando dança com suas fitas, afasta os sentidos e traz o brilho dos astros. 
A terra é mais próxima da lua, por que precisa desenrolar suas chitas. 
Desfiar as linhas, vestir novas roupas... 
Se não basta-se as suas tintas para se pintar de Gaia, ela ainda brinca.
Gaia é terra, mas gaia e azul. Liu Azul..."

by.: Maraneane Passos





Era uma tarde de inverno, estava Júpiter a fazer companhia a sua filha Afrodite.
Era uma tarde normal com nada em especial, porém, entre o clima descontraído tão familiar que estava instaurado, eles receberão a estranha visita de Gaia por aquelas bandas.

Gaia não costumava andar naquela parte do Olimpo, mas, nesta tarde se sentiu atraída a visitá-los e apenas ficou a observa-los, pois, costumava ouvir sobre o amor de Júpiter a sua filha Afrodite, diziam ser o mais lindo, puro e verdadeiro, mas teimosa como ela era queria ver com os próprios olhos, e lá se foi.

Quando chegou, encontrou Júpiter deitado em seu sofá de nuvens, chamando a deusa da beleza para lhe fazer companhia..
Ela nunca hesitava, e vinha para junto do pai ao primeiro chamado.
Ela podia sentir o amor do pai pelo toque, afinal ela era a deusa do amor,e da beleza, e tais sentimento lhe corriam pela veia...

Gaia apenas observava, sentia que existia um amor supremo, mas ela era apenas uma coadjuvante desta cena... tudo na cena a intrigava, ela sentia o amor exalar pelo modo como ele a fitava.
Era um verdadeiro pai, amava incondicionalmente sua filha, .

Por um instante Gaia hesitou... se sentiu intrusa, invasora, não era para ela estar ali, ela não fazia parte desta cena, queria sair, fugir, se esconder... pois não pertencia a esta intimidade e tinha medo de ser notada e atrapalhar a pureza da demonstração de tal sentimento...

Ao observar com mais cuidado, Gaia percebeu que Afrodite estava com uma leve saliência no seu ventre, ela estava grávida, viu ela se afastar do pai e escutou ele a chamar de Gorda.

Gaia se assustou, e pensou, como pode a Deusa da beleza, a mais formosa de todas ser chamada de Gorda.
Porém ao ver o sorriso no rosto dos dois percebeu que ali não havia maldade... ele estava apaixonada e ansioso pra ver a carinha dos seus netinhos, adorava o fato dela estar gorda.

A tarde foi caindo, e quando Gaia se deu conta já era noite... tinha coisas a cuidar e foi embora.
A única coisa que conseguia pensar é que não sabia de que maneira, mas foi contagiada por aquele amor.
Sentia ele percorrer seu corpo, assustou-se um pouco, mais depois percebeu que não poderia evitar não se apaixonar pela deusa do amor.
Pensou ainda em voltar para visitá-los novamente

Mas...


Lilian Ventura

ps.: A história não é a história contada na mitologia greco-romana, apenas uma adaptação pessoal...

domingo, 27 de janeiro de 2013

O Estimulante da Madrugada

"O nome do blogger sempre foi bastante sugestivo, pois, a maioria dos meus textos foram escritos foram escritos em madrugadas, madrugadas as quais os pensamentos adiaram o sono invadindo a noite que foi feita para dormir.. Somos noturnas, boemias e regadas a cafeína... e todos que me conhecem sabem o quanto eu aprecio um cafezinho diário em boa companhia... então apreciem com moderação..."






"Um bom café deve ser: negro como a noite, quente como o inferno, doce como o amor"







Cá estou eu e a madrugada mais uma vez juntas...
Velhas conhecidas que somos, aprendemos a gostar muito uma da outra.
A hora do dia em que aprendi a gostar mais.
A hora do dia em que mais me encontro.
Seu cheiro me traz paz, seu silencio saudades..

Uma saudade intensa, do que eu ainda está por vir, uma saudade do novo dia que esta nascendo... 
É uma saudade do novo, do inesperado... por horas esta saudade se mistura com a ansiedade e consome minha madrugada de maneira devoradora..

Se tem chuva é ainda melhor... há quem não aceite esse meu jeito... diz que está errado, que meus horários estão trocados, pois eu deveria estar dormindo... mais eu não consigo... o sabor da madrugada me fascina demais...
Enquanto todos dormem eu continuo acordada e minha cabeça permanece trabalhando ágil sem parar... mesmo que eu não queira..

Eu me descubro na madrugada, e de maneira reciproca a madrugada me descobre... 
A solidão do meu quarto.
O silêncio do mundo parcialmente desligado.
O barulho da chuva se mistura com a guitarra do som de BB.King, e juntos me embalam em uma sinfonia única.
A fumaça invade meu quarto, dançando loucamente ao som do blues... já eu quando não acompanho sua dança, divago presa em pensamentos, em meus demônios... em minha mente..

O meu eu, que só eu entendo, insiste em me contradizer... 
Toda madrugada..

Aprendi a amá-la assim... meio que sem perceber... em companhia da cafeína... estimulante não só do corpo.. mais principalmente da mente...

by.: Lilian Ventura
Horário: 02:15




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Homo consumens e o amor




                A sociedade contemporânea convive, quase que exclusivamente, com o homo consumens[i]; a vida consumista favorece a leveza e a velocidade. E também a novidade e a variedade que elas promovem e facilitam. É a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homem contemporâneo. De que maneira a relação de consumo que estabelecemos com os produtos duráveis (que poderiam ter outro nome, pois eles não são duráveis) afetam a nossa capacidade de criar e cultivar vínculos humanos?
                A misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos, é um tema contemporâneo. (Paciência é uma virtude; que se faz essencial quando falamos em amor). Quase todas as discussões sobre “o problema” relacionamento (amor) nos dizem ser imprescindível a dedicação, o amor e o respeito. O respeito é, afinal, apenas um dos lados da faca de dois gumes da atenção, cuja a outra ponta é a opressão.
                Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande duvida na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino; aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde a alegria numa bagunça irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no outro, o companheiro no amor. A satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras e em uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista. Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e continuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
Quando se trata de amor, posse, poder, fusão e desencanto são os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Nisso reside à assombrosa fragilidade do amor, lado a lado com sua maldita recusa em suportar com leveza a vulnerabilidade. Todo amor empenha-se em subjugar, mas quando triunfa encontra a derradeira derrota. Todo o amor luta para enterrar suas fontes de precariedade e incerteza, mas, se obtém êxito, logo começa a se enfraquecer e definhar. Mãos que acariciam também podem prender e esmagar.
                (o amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto à morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa; a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a tentação de escapar. E o fascínio da procura de um rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.)
                É como num shopping: os consumidores hoje não compram para satisfazer um desejo; compram por impulso. Semear, cultivar e alimentar o desejo leva tempo (um tempo insuportavelmente prolongado para os padrões de uma cultura que tem pavor em postergar, preferindo a “satisfação instantânea”). O desejo precisa de tempo para germinar, crescer e amadurecer. Numa época em que o “longo prazo” é cada vez mais curto, ainda assim a velocidade de maturação do desejo resiste de modo obstinado à aceleração. Os administradores de um shopping Center não desejam que as decisões de compra sejam tomadas por motivos nascido a e amadurecidos ao acaso, nem deixar seu cultivo nas mãos leigas dos consumidores. Todos os motivos necessários para fazê-los comprar devem nascer instantaneamente, enquanto passeiam pelo shopping.
                Nos dias de hoje, os shoppings centers tendem a serem planejados tendo-se em mente o súbito despertar e a rápida extinção dos impulsos, e não a incômoda e prolongada criação e maturação dos desejos. O único desejo que pode (e deve) ser implantado por meio da visita a um shopping é o de repetir, vezes e vezes seguidas, no momento estimulante de “abandonar-se aos impulsos” e permitir que estes comandem o espetáculo sem que haja cenário pré-definido. A curta expectativa de vida é o trunfo dos impulsos, dando-lhes uma vantagem sobre os desejos.
                Consideradas defeituosas ou não “plenamente satisfatórias”, as mercadorias podem ser trocadas por outras, as quais se espera que agradem mais, mesmo que não haja um serviço de atendimento ao cliente e que a transação não inclua a garantia de devolução do dinheiro. Mas, ainda que cumpram o que delas se espera, não se imagina que permaneçam em uso por muito tempo. Afinal, automóveis, computadores ou celulares perfeitamente usáveis, em bom estado e em condições de funcionamento satisfatórias são consideradas, sem remoço, como um monte de lixo no instante em que “novas e aperfeiçoadas versões” aparecem nas lojas e se tornam o assunto do momento. Alguma razão para que as parcerias sejam consideradas a exceção da regra?
(guiado pelo impulso “seus olhos se cruzam na sala lotada”, a parceria segue o padrão do shopping e não exige mais que as habilidades de um consumidor médio, moderadamente experiente. Tal como outros bens de consumo, ela deve ser consumida instantaneamente e usada uma só vez, “sem preconceito”. É, antes de mais nada, eminentemente descartável.)



[i] BAUMAN, Zygmunt. Vida Líquida.